Quando visitar o Douro, mês a mês
A maioria dos guias diz “de maio a outubro” e fica por aí. É verdade, mas esconde a parte mais útil: o vale muda muito de um mês para o outro, e o mês certo depende do que querem da viagem. É assim que o ano se vê a partir de Alijó, onde vivemos.
A resposta curta
Se querem dias quentes sem o calor de agosto, venham no fim de maio, em junho, no fim de setembro ou em outubro. Se querem as vindimas, apontem para o fim de agosto ou a primeira quinzena de setembro. Se querem o vale quase só para vocês e não se importam com dias mais frescos, novembro e março são subestimados. O nosso preferido é outubro.
Janeiro e fevereiro
Calmos. As vinhas estão despidas, as manhãs são frias e muitas vezes com nevoeiro junto ao rio, e algumas quintas reduzem o horário ou fecham umas semanas. Marquem as provas com antecedência e confirmem os dias de abertura. A vantagem é que quem vos serve o vinho tem tempo para conversar.
A partir do fim de fevereiro, as amendoeiras começam a florir no Douro Superior. Dura pouco e depende do tempo, por isso vejam-no como um bónus, não como razão para apanhar um avião.
De março a maio
As vinhas acordam: primeiros rebentos em março, socalcos verdes em maio. Os dias são amenos, ainda pode chover, e os barcos no rio começam a sair mais vezes. Maio é um dos meses de que mais gostamos para receber pessoas. Está tudo verde, ninguém está cansado ainda, e almoçar lá fora é agradável e não um castigo.

De junho a agosto
Dias longos e quentes. No Pinhão o vale prende o calor, e as tardes de julho e agosto passam muitas vezes dos 35°C. Continua a ser perfeitamente possível, desde que se planeie à volta disso: provas de manhã, um almoço longo à sombra, o barco ao fim da tarde, quando a luz fica dourada. É exatamente por isso que os nossos dias privados acabam no rio às 17h00.
Uma coisa que quem vem pela primeira vez não espera: o planalto à volta de Alijó, lá em cima, é bem mais fresco à noite do que o Pinhão. Se estão a marcar uma estadia de verão, isso conta.

Fim de agosto e setembro: as vindimas
A vindima vai agora, normalmente, do fim de agosto a setembro, mas as datas exatas mudam todos os anos com o tempo, a casta e a altitude de cada vinha. É quando o vale tem mais movimento: tratores cheios de uvas nas estradas, cortadores nos socalcos desde cedo, adegas a trabalhar até tarde.
É uma ótima altura para vir, desde que reservem cedo e aceitem que as adegas estão a trabalhar, não a fazer espetáculo. Escrevemos um guia à parte sobre como são realmente as vindimas para quem visita.
Outubro e novembro: os nossos preferidos
Se perguntarem ao Gonçalo, a resposta é outubro. O calor já foi, as manhãs são frescas e, depois da vindima, as vinhas ficam amarelas, vermelhas, castanhas e verdes, tudo na mesma encosta. Os socalcos parecem um quadro. E nessa altura a maior parte das enchentes do verão já voltou para casa.
Novembro mantém as cores mais umas semanas, com ainda menos gente. Chove mais do que no verão, por isso deixem um dia livre no plano.

Dezembro
Frio, calmo e muito local. Não é o mês para um passeio longo de barco, mas é bom para Porto à lareira e almoços demorados. Confirmem que os sítios que querem visitar estão abertos no Natal.

Quanto tempo ficar
Se puderem, duas noites. Um dia no vale chega para provar e ver o rio; dois deixam-vos abrandar e esquecer o relógio. Se só têm um dia, venham de comboio e deixem outra pessoa conduzir. O nosso guia do comboio Porto–Tua explica como.
Vêm este ano? O nosso dia Classic funciona o ano todo, com o barco às 17h00 em todas as estações. Digam-nos as vossas datas.
